Tomada da palavra e conquista do tempo livre: uma entrevista com Jacques Rancière

Temos o prazer e o orgulho de anunciar a publicação da entrevista realizada com Jacques Rancière, na revista Educação e Pesquisa, da Faculdade de Educação da USP.

Esta entrevista, concedida em fevereiro de 2021, explora os vínculos do pensamento de Jacques Rancière com a filosofia da educação. Inicialmente, o filósofo aborda aspectos de sua trajetória intelectual, sua relação com maio de 68 e suas pesquisas nos arquivos operários, que nutriram a elaboração de obras como A noite dos proletários e o levaram a romper com os pressupostos de Louis Althusser sobre as relações entre saber e política. Em seguida, Rancière analisa a recepção de O mestre ignorante , marcada, segundo ele, por leituras equivocadas que a identificam ora como uma obra sobre a história do pensamento pedagógico, ora como uma metodologia de ensino a ser aplicada. Ambas leituras ignoram a concepção de emancipação intelectual proposta por Joseph Jacotot e a visão do próprio Rancière acerca das relações entre teoria e prática. Na discussão sobre o artigo Escola, produção, igualdade , único de seus textos voltado prioritariamente ao que ele denomina forma-escola, o filósofo destaca a importância das diferentes noções de temporalidade com as quais trabalha e coloca em questão a capacidade que a escola teria, hoje, para promover igualdade e tempo livre ( skholé ), por ter se tornado a instituição finalizada por excelência, aproximando-se cada vez mais das lógicas da hierarquização e da desigualdade. Ao final, o diálogo envereda por uma reflexão sobre o presente: a ascensão da extrema-direita em países como o Brasil e os Estados Unidos da América, marcada por aquilo que Rancière denomina paixão pela desigualdade.

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Novo artigo de José Sérgio Fonseca de Carvalho

Igualdade é uma palavra que o sonho humano alimenta: Rancière e a crítica aos discursos pedagógicos contemporâneos. 

Resumo: Em O Espírito da Leis, Montesquieu atribui à educação – e, em particular, à sua forma escolar – a tarefa de difundir e cultivar o amor à igualdade, por ele concebido como a virtude política por excelência e como o princípio afetivo que sustenta o regime republicano como modo de vida. O desafio que sua obra lança aos educadores – o de viabilizar uma educação comprometida com o amor à igualdade – mobiliza os discursos educacionais republicanos que, desde então, procuraram conceber meios de efetivar o princípio da igualdade no âmbito das instituições educativas. O presente artigo analisa diferentes formas pelas quais os discursos educacionais se propuseram a operacionalizar esse princípio no plano das relações educativas. Partimos da análise da escola pública como esforço de efetivação do princípio liberal da igualdade de oportunidades e apresentamos, a seguir, as críticas a ela endereçadas pelas teorias reprodutivistas e pelas correntes pedagógicas autoproclamadas histórico-críticas. Em um terceiro momento, buscamos articular as críticas de Jacques Rancière a ambas as correntes, apresentando uma perspectiva na qual o compromisso com a igualdade não é concebido como um objetivo da ação educativa a ser alcançado no futuro, mas como um axioma capaz de produzir efeitos igualitários em suas ações presentes

 

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Um Sentido para a Experiência Escolar em Tempos de Pandemia

Novo artigo do professor José Sérgio Fonseca de Carvalho publicado na revista Educação e Realidade.

Resumo:

No presente artigo a emergência da pandemia global é analisada como um fator que torna ainda mais visível e aguda a crise da educação. Isso ocorre porque à não presencialidade espacial dos alunos agrega-se o esvaziamento da dimensão temporal da educação. Esse esvaziamento é tratado a partir da narrativa da experiência escolar de uma adolescente. Sua interpretação e análise apontam para a necessidade de a experiência escolar propiciar a seus alunos a oportunidade de habitarem um outro mundo no tempo e no espaço por meio do acesso e da ressignificação de obras ficcionais e historiográficas nas quais a experiência de viver uma pandemia seja reconfigurada à luz do presente.

 

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Live de lançamento do livro “Milagre em Monte Santo”, de Denizart Fazio

Nesta sexta-feira, 27/08, 19h, ocorrerá o lançamento do livro “Milagre em Monte Santo: a fundação da família agrícola do sertão (Efase)”, de Denizart Fazio. Publicado pela Editora da UFPE, o livro apresenta a dissertação de mestrado, defendida na Faculdade de Educação da USP. Será uma conversa com o autor, com o professor José Sérgio Fonseca de Carvalho, orientador da pesquisa, com o professor Flávio Brayner, da UFPE, e com dois monitores da Efase, o Gabriel Troilo e o Jailton Andrade. A prosa será transmitida no canal do Youtube do GEEPC – USP.

 

Milagre em Monte Santo: a fundação da Escola Família Agrícola do Sertão

Denizart Fazio publica, pela Editora UFPE, o livro Milagre em Monte Santo: a fundação da Escola Família Agrícola do Sertão.

 

Com prefácio de José Sérgio Fonseca de Carvalho e apresentação de Flávio Brayner, o livro conta a história da EFASE, a partir das narrativas de seus fundadores. Enquanto o livro impresso é preparado, a Editora UFPE disponibilizou a versão em e-book para download gratuito.

Abaixo, um trecho do prefácio:

“Porque rompem com nexos causais, milagres podem ser narrados, transmitidos, compreendidos, mas não explicados. Porque representam a eclosão do novo, não podemos simplesmente enquadrá-los nas categorias explicativas que herdamos. Daí a ousada perspectiva que Denizart Fazio adota neste trabalho, mesclando a narrativa dos agentes às tradições literárias e filosóficas que interpretam e atribuem sentidos às ações e aos discursos; que reconfiguram o passado a partir de traços e indícios que persistem no presente. E, ao assim fazê-lo, a narrativa de Denizart dá a ver ações humanas que romperam com a reprodução do passado, salvando-as do esquecimento e da ruína que o tempo lhes infligiria se não fossem transmitidas às novas gerações, se não fossem compartilhadas em outros tempos e espaços.”
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Escola pública, democracia e igualdade

Estes vídeos integram a MESA 1 do Colóquio internacional “Educação, política e emancipação no pensamento de Jacques Rancière”, realizado de 1 a 4 de março de 2021.  O evento foi realizado pela Faculdade de Educação da USP (Feusp) e pelo Grupo de estudos e pesquisa sobre educação e o pensamento contemporâneo (GEEPC) e teve apoio da Pró-reitoria de Cultura e extensão da USP, da Comissão de Cultura e Extensão da Feusp, do Paep-Capes e da Fapesp. 

MESA 1 (01/03/2021): Escola pública, democracia e igualdade.

 

 

A escola (como) buraco, saída e ruptura: a fábula da emancipação escolar

Estes vídeos integram a Mesa de Abertura do Colóquio internacional “Educação, política e emancipação no pensamento de Jacques Rancière”, realizado de 1 a 4 de março de 2021. Com a presença de Jan Masschelein (U. Louvain), Prof. Dr. José Sérgio Fonseca de Carvalho (USP) e Prof. Dr. Marcos Neira (USP). O evento foi realizado pela Faculdade de Educação da USP (Feusp) e pelo Grupo de estudos e pesquisa sobre educação e o pensamento contemporâneo (GEEPC) e teve apoio da Pró-reitoria de Cultura e extensão da USP, da Comissão de Cultura e Extensão da Feusp, do Paep-Capes e da Fapesp. 

Conferência de abertura (01/03/2021): A escola (como) buraco, saída e ruptura: a fábula da emancipação escolar |de Jan Masschelein.

 

Obs: O vídeo está legendado. Basta ativar as legendas do YouTube.

O que estamos fazendo hoje?: Uma leitura a partir de Hannah Arendt

Mariana Evangelista participa do IV Congresso Pernambucano de Ciências Jurídicas, com a conferência  ‘O que estamos fazendo hoje?: Uma leitura a partir de Hannah Arendt’.

 

O evento ocorre no hoje, 14/06, às 18h30.

 

Para mais informações sobre o evento, visite a página oficial: https://www.even3.com.br/ivcpcj/

 

Educação como prática da democracia: Paulo Freire antes do Golpe civil-militar de 1964 no Brasil

Artigo de Taís Araújo publicado no dossier A propósito del Centenario de Paulo Freire, da Revista do Instituto de Investigacionas en Ciencias de La Educación (Universidade de Buenos Aires).


Resumo
O objetivo deste artigo é analisar textos de Paulo Freire escritos no início dos anos 1960, antes da publicação de seus primeiros livros, Educação como prática da liberdade e Pedagogia do Oprimido. Nesse momento, o autor apresenta-nos uma concepção de educação atrelada a finalidades exteriores ao ato pedagógico, no caso, ao desenvolvimento nacional e à consolidação da democracia no Brasil. Diferentemente das suas concepções políticas do final da década, no início dos anos 1960 Freire propõe um conceito de educação alinhado à ideia de mudança por dentro da ordem, pois, no seu entendimento, estava em curso uma transformação estrutural no país operada por governos nacional-reformistas. Procuramos compreender, assim, como Freire articulava um ideário do Nacional popular aos conceitos da filosofia existencialista apropriada pelo ativismo católico, com o qual o educador partilhava, além de afinidades, espaços de atuação.

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